Pegada Ecológica

maio 28, 2009

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→ Considerações: Breno Martins Rêgo

Muito tem se discutido a respeito das ações humanas e seus efeitos ao meio ambiente, é de se esperar que tenhamos em nossas vidas atitudes cotidianas que caminhem para freiar a degradação dos sistemas ecológicos. Do contrário estamos sendo cegos, burros e a longo prazo, suicidas.

Esse .pdf da WWF mostra de uma forma didática e dinâmica o que é Pegada Ecológica e como agir para minimizá-la. Trás um questionário que calcula a sua pegada, fala sobre como mobiblizar as pessoas para o problema, tudo bem ilustrado e claro.

Segue o arquivo para download:

WWF – Pegada Ecológica

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LIVRO – A Profecia Celestina

maio 27, 2009

A profecia celestina

LIVRO:  A Profecia Celestina

AUTOR: James Redfield

→ Considerações: Clara Rodovalho

Esse livro literalmente MUDOU a minha vida. O livro é realmente ótimo, principalmente se após a sua leitura esforçamo-nos para colocar em prática cada ensinamento, cada lição. Acredito que seja esse esforço individual e, ao mesmo tempo, coletivo, que está ajudando na transformação do mundo, especialmente nesses últimos anos

Não, não vou falar nada da estória do livro, mas, pensei em relatar as principais idéias, dispostas pelo autor ao longo de nove visões.

“Na primeira visão temos a consciência de que não há coincidências. Somos chamados a prestar atenção a tudo o que acontece, todas as sincronicidades. Quantas vezes já não exclamamos: “Que coincidência!” ? É como se estivéssemos em determinada sintonia e, nela, ouvíssemos tudo o que estivesse tocando. Não necessariamente com os ouvidos. Parece que quanto mais tempo sintonizados, mais forte é a música que escutamos, mais freqüentes se tornam as sincronicidades.

“Ao nos conscientizarmos da coincidência estamos nos sintonizando com o mistério do princípio fundamental da ordem no universo”

“A segunda visão é como que um prolongamento da primeira. Observamo-nos dentro de um contexto histórico, as coincidências querem nos mostrar algo.

“A Segunda visão é a consciência de que nossa percepção das misteriosas coincidências da vida é uma ocorrência histórica significativa”

O Universo é pura energia. A Terceira Visão nos passa a idéia de que tudo é energia e nós somos co-criadores, mediante nossos pensamentos, dessa energia. Ensina que, ao admirarmos a beleza, seja na natureza ou pessoas, ao nos esforçamos para ver o belo em tudo, elevamos nossa energia, como se a consciência da energia a fizesse aumentar.

“Quando nos transferimos para uma vibração mais alta, as mensagens tendem a chegar mais rapidamente. Quando usamos nossos dons e habilidades com a intenção correta, as coisas vêm até nós”

“A Quarta Visão trata da competição que há entre nós, pela energia, mesmo inconscientemente. “A Quarta Visão é a consciência de que os seres humanos, com freqüência, rompem sua ligação interior com essa energia mística. Em decorrência disto, temos tido a tendência de nos sentirmos fracos e inseguros, e com freqüência procuramos nos reerguer sugando a energia de outros seres humanos”.

“A Quinta Visão é a experiência da ligação interior com a energia divina, e como ela expande nossa perspectiva de vida”

“A Sexta Visão retrata os dramas de controle, ou seja, as artimanhas que podem ser usadas para adquirir energia de outrem. Há o intimidador, o distante, o interrogador e o coitadinho de mim (vítima). São posturas adotadas pelas pessoas, predominando, geralmente, uma dessas sobre as demais. Esses dramas de controle se baseiam no medo – que é energia negativa – e, quando nos conscientizamos do nosso, temos a chance de transformá-lo, combatê-lo, fortalecendo a nossa ligação com a energia interior.

“A Sétima Visão é a conscientização de que as coincidências têm nos conduzido o tempo todo à realização da nossa missão e à busca da nossa questão vital básica”. Devemos entrar na corrente, fazendo o que gostamos, seguindo a intuição.

“A Oitava Visão é a consciência de que a maior parte das sincronicidades tem lugar através das mensagens que nos são trazidas por outras pessoas e que uma nova ética espiritual com relação ao semelhante estimula essa sincronicidade”.

“A Nona Visão é a consciência de como a evolução se dará se vivermos as outras visões. (…) À medida que a evolução prosseguir, o crescimento sincronístico elevará nossas vibrações ao ponto em que penetraremos na dimensão da vida após a morte, fundindo essa dimensão com a nossa e encerrando o ciclo nascimento/morte”.

fonte – http://podefalar.com.br/resumo-do-livro-a-profecia-celestina


LIVRO – Reiki Essencial

maio 27, 2009

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LIVRO: Reiki Essencial

AUTOR: Diane Stein

→ Considerações: Clara Rodovalho

O Reiki, antigo sistema de cura baseado na simples imposição das mãos, tem sua origem mais remota ligada ao budismo tibetano. No ocidente, sua prática era mantida em segredo ate há bem pouco tempo. Este livro traz informações detalhadas, muitas delas publicadas pela primeira vez, sobre todos os três graus do Reiki. Por desmistificar esse antigo sistema de cura, Reiki essencial por certo está destinado a ser um livro polémico.

Partindo da premissa de que a cura Reiki pertence a todas as pessoas, este livro difere de tudo o que já foi publicado sobre o assunto. Embora nenhuma publicação possa substituir as “sintonizações’ Reiki recebidas de modo direito, Reiki essencial contém todas as informações que o agente de cura, o praticante e o mestre desse sistema precisam ter.

Fonte – http://store.casa-indigo.com/store/viewItem.asp?idProduct=237


LIVRO – AMI, O menino das Estrelas

maio 27, 2009

AMI O menino das Estrelas

LIVRO: AMI, O menino das Estrelas.

AUTOR: Enrique Barrios

→ Considerações: Clara Rodovalho

Você já leu o livro AMI, o menino das estrelas?

É um livro obrigatório para quem abrir a mente para novas idéias e verdades ou se preferir “ficção científica”. A linguagem do livro é infantil, porém, de propósito para tocar nossa criança interior…

Pequeno resumo do livro:
Anoitece… Pedrinho, um menino terrícola, está numa praia solitária. Observa a queda de um objeto luminoso ao mar. Alguém vem nadando até a praia. É Ami, um pequeno extraterrestre que vem à Terra para ensinar-nos nada menos que a Lei Fundamental do Universo, um segredo cósmico que ignoramos, e por isso em nosso planeta existem guerras e infelicidade.
Ami, com sua nave, leva Pedrinho a conhecer um mundo evoluído – Ofir. Neste mundo seus habitantes conhecem e praticam essa Lei, vivendo em felicidade e harmonia.
O menino espacial afirma que não é impossível realizar um Ofir na Terra, e que devemos tentar fazer isso. Desse encontro surge uma missão para Pedrinho… e para inúmeros leitores desta maravilhosa obra que já foi traduzida a 13 idiomas. Há quem diga que a história é baseada em fatos reais. Sem entrar na discussão, trata-se de uma ótima leitura. Está disponível  no 4shared.

Curiosidade: Esta obra recebe o respaldo do Ministério de Educação do Chile em 1987, que a declarou Material Didático para o Sistema de Ensino Nacional. Recebe, além disso, o reconhecimento de autoridades educativas de vários outros países, também o de distintas correntes espirituais modernas, e não tão modernas, como a Bendição do Papa João Paulo II em 1987, apesar de não ser uma obra inscrita dentro de nenhuma religião determinada.

Fonte – http://br.groups.yahoo.com/group/ami_menino_estrela/


Vista Cansada

maio 21, 2009
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Otto Lara Resende

Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa idéia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.

Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.

Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

Texto publicado no jornal “Folha de S. Paulo”, edição de 23 de fevereiro de 1992.
*Obrigado ao Luiz Eduardo pela dica do texto.

→ Considerações: Breno Martins Rêgo

Otto Rezende em seu texto trás uma discursão grandiosa. Podemos pensar em diversos pontos da sociedade que nós levam ao habito, cotidiano e por fim a banalização do olhar. Será que tem que ser assim? Temos que passar pelos mesmos caminhos todo dia para trabalhar? Temos que tratar o porteiro com aquele bom dia automatico?

Parece que andamos olhando sempre o que está por vir e esquecemos o que está a volta, presente naquele momento. Eu diria que isso é uma doença moderna. Saramago, em “Ensaio sobre a cegueira”, coloca uma situação inusitada: Uma cegueira branca aplaca um país, a partir dessa enfermidade ele discorre as ações humanas e mostra que mesmo cego o homem continua “cego”. Alguns se aproveitam da situação, outros utilizam da violencia para ter o que querem. Ele tambem mostra que existem aqueles que se importam com as necessidades dos outros, que entendem a situação e tentam fazer o bem comum a todos. O livro é uma analogia a condição humana no seu estado bruto, sem lapidações.

Compartilho com vocês dois vídeos do exelente documentário “Janela da Alma” (2001) do diretor João Jardim.

Hermeto Pascoal

José Saramago



Você já comeu a Amazônia hoje?

maio 20, 2009

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Eu não aceito que, em meu nome, o governo federal brasileiro conceda autorização para o desmatamento da Amazônia, e você, aceita? Eu não autorizo que o dinheiro público, de bancos oficiais, seja empregado para a criação de bois na Amazônia, e você, autoriza?

Você e eu somos bois-de-presépio ou cidadãos do planeta? Você acredita que a sua forma de viver, alimentar-se, comportar-se, construir a sua casa, presentear seus amigos, visitar os lugares ou votar possua relação direta com a Amazônia?

Caso afirmativo, você aceitaria avaliar se está comendo ou não a Amazônia? A cada dia as pesquisas científicas e os relatórios ambientalistas são mais taxativos: não podemos nos dar ao luxo de esperar que as pessoas se convençam sobre a gravidade da situação da Amazônia. Será tarde demais quando fazendeiros, garimpeiros, madeireiros, funcionários públicos, representantes do poder público e a população em geral , despertarem para o fato.  Teremos perdido a maior parte da Amazônia.

Os fatos

Em cinco séculos 95% das populações indígenas desapareceram. Nações inteiras foram extintas pelas doenças, pela escravidão e pelas armas trazidas pelos europeus. As Nações que sobreviveram, cerca de 180, com mais de 200 mil indivíduos (1% da população da região), contam com poucos aliados  entre os funcionários públicos e organizações da sociedade civil para se defenderem de garimpeiros, caçadores, ladrões de madeira e grileiros.

Em termos sociais a Amazônia é uma das regiões de maiores desigualdades econômicas e sociais do planeta. Esta é, de longe, a mais violenta do país, respondendo pela maioria dos casos de morte em conflitos pela terra, número de trabalhadores escravizados em fazendas de pecuária e pela grande insegurança das áreas urbanas.

Os 23 milhões de habitantes estão longe de se beneficiar da biodiversidade, da etnodiversidade, de suas riquezas culturais e da produção de madeira e minerais. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, da ONU) da região equivale ao dos países mais pobres do planeta.

Em termos ambientais oferecemos, ano após ano, o maior espetáculo de pirotécnica ao queimarmos mais florestas para virarem pasto. O desmatamento e as queimadas da Amazônia tornam o Brasil um dos principais paises emissores de gases que contribuem para o efeito estufa. As mudanças climáticas são irreversíveis.

Em termos de biodiversidade, em apenas 4% da superfície terrestre a Amazônia continental deve abrigar mais de 1/5 da biodiversidade do planeta. Nas áreas mais comprometidas, como no entorno de Belém, por exemplo, ¼ das aves estão ameaçadas de extinção. Uma vez extinta uma espécie, esta extinção é para sempre.

Em termos ambientais, de 1.500 a 1.964 desmatamos menos de 1% da Amazônia. Nos últimos 40 anos desmatamos cerca de 16% da região, uma área equivalente a duas vezes a Alemanha (ou três estados de São Paulo) em pasto. Esta área de 750 mil km2 é duas vezes maior que a área agrícola do pais. Pior, 1/4 desta área encontra-se abandonada porque o objetivo de derrubar o mato foi o de tomar a posse da terra, para dizer: aqui tem dono.

No momento estamos perdendo cerca de 24 mil km2 de cobertura nativa ao ano. Isto significa que a cada ano estamos desmatando uma área equivalente a 2/3 da Bélgica (ou do estado de Sergipe).

A cada ano perdemos cerca de 1% do que resta da floresta amazônica. Se nada for feito teremos perdido mais da metade da floresta nos próximos 30 anos. Eu não autorizei. Você autorizou?

Estamos apenas medindo a febre e não combatendo as causas da doença. A febre em um doente alerta que algo vai errado, é apenas um índice. Há grande comoção quando os índices de desmatamento são expostos ao vexame público, e pouco interesse em discutir as verdadeiras razões de seu crescimento.

São os grandes fazendeiros! – apontam uns! É a expansão da soja! – sugerem outros. É a abertura de estradas, a ineficácia e ausência do poder público, o aumento das fazendas, os madeireiros, os garimpos, e assim por diante… Será que não continuamos na periferia do problema? Será que estamos apontando apenas as conseqüências de atos que praticamos em nosso dia-a-dia, de forma relapsa, impensada e, digamos, irresponsável?

Os responsáveis somos nós!

Será que estamos fazendo as perguntas certas? Quem é responsável pela maior parte dos desmatamentos? Não será difícil responder: as propriedades rurais dedicadas à pecuária. Trata-se apenas das grandes fazendas? Não, as pequenas e médias têm na pecuária bovina e bubalina (de búfalos) sua principal atividade.

E por que expande a pecuária na Amazônia? Certamente um fazendeiro tradicional irá comentar: “Porque é mais barato produzir carne na região, a terra tem pouco valor, a mão de obra é barata, há pouca fiscalização dos órgãos ambientais, trabalhistas e da receita federal”.

Esta, no entanto é uma resposta insatisfatória. Afinal, esta carne vai para algum lugar. Alguém consome este produto. Os dados são claros: mais de noventa por cento da carne produzida na Amazônia é consumida no próprio Brasil, a maior parte nas regiões de maior poder econômico – Sul e Sudeste. O crescimento do consumo de carne bovina é significativo. A cada dia mais e mais pessoas querem a sua picanhazinha e a sua maminha.

Em quarenta anos, de 1964 a 2004, o rebanho bovino da Amazônia saltou de 1,5 para 60 milhões de cabeças. Parte deste rebanho é clandestino. Este lote de animais prontos para morrer para saciar o desejo de comer carne bovina representa 1/3 do rebanho brasileiro. Três cabeças de boi para cada habitante da Amazônia. No Brasil já há mais bois que gente!

A pecuária é a principal atividade econômica rural da Amazônia. Não se trata apenas de grandes e médias propriedades (estes são 25 mil famílias com áreas acima de 500 hectares). A maior parte dos 400 mil pequenos proprietários rurais da Amazônia tem na pecuária a sua principal fonte de renda (seja pelo fracasso das demais atividades econômicas, seja pela completa incompreensão do que seja a natureza amazônica ou impaciência com a Natureza, preferindo carbonizá-la a conduzir a dança da sustentabilidade).

Lembremos que estamos em um país onde a maioria vive em grande carestia. Não fosse o baixo poder aquisitivo do brasileiro o consumo de carne seria pelo menos o dobro. O brasileiro come, em média, um bife pequeno por dia (100 gramas) – 36 kg de carne/ano.

Um boi de 16 arrobas tem em média 240 kg de carne. Se você comer carne bovina durante sua vida (72 anos – a idade média do brasileiro), isto significa um boi a cada 6,6 anos, 11 bois inteiros durante a vida – 2,6 toneladas de carne! Destes 11 bois, pelo menos 4 terão vindo da Amazônia, ou seja, a cada três dias o brasileiro come um bife da Amazônia.

Sabe-se que este é um índice médio. O consumidor  da classe alta e média chegam a comer mais de 3 vezes esta cifra – 108 kg/carne bovina/ano. Ou seja, um caminhão com 32 bois, mais de 7,5 toneladas de carne em sua vida!

Quanto custa para a Humanidade este bife?

A insistência do modelo mundial de ocupação do solo, que privilegia a pecuária, é o principal responsável pela fome e desigualdade na área rural do Planeta. A quantidade de água, solos e recursos utilizados para produzir um quilo de carne seria suficiente para alimentar pelo menos 50 pessoas.

A expansão da pecuária é responsável por pelo menos 2/3 dos desmatamentos das florestas tropicais do planeta. Estas já ocuparam 16% do planeta. Hoje ocupam menos de 9%. Da II Guerra Mundial até hoje perdemos mais de 3% das florestas tropicais do planeta. Por quê? Principalmente porque há gente querendo comer carne bovina.

A pergunta que fazem os fazendeiros é: quanto o bife custa no seu prato? A pergunta que deve inquietar o cidadão deste planeta é: “quanto custa de esforço à Humanidade para você ter o luxo de um bife em seu prato?”

A pecuária é o pior empregador que existe no planeta. A miséria brasileira no campo pode ser resumida a uma frase: a pecuária bovina expulsou o homem do campo. Numa grande fazenda na Amazônia, emprega-se diretamente uma pessoa a cada setecentos bois, que ocupa uma área de 1 mil hectares. A mesma área com agricultura familiar empregaria pelo menos 100 vezes mais, com agro-floresta em permacultura empregaria 250 pessoas!

A pecuária gera pouca renda e esta é praticamente transferida para fora das regiões produtoras. A ilha do Marajó, uma área do tamanho da Suíça, após duzentos anos de pecuária (bovina e bubalina), tornou-se uma das áreas mais pobres da Amazônia – e do planeta – com índices de desenvolvimento humano (IDH) equivalentes aos de Bangladesh. Em Chaves, no Marajó, um quarto das crianças está fora da escola e 77% das crianças não tem luz em suas escolas!

A pecuária é altamente concentradora de renda. Inexiste uma única região do Brasil onde a pecuária promoveu o desenvolvimento com justiça social. Pior, a maior parte dos fazendeiros perde dinheiro com a atividade. Como não sabem fazer contas não percebem que estão ficando mais pobres a cada dia e que pouco poderão oferecer a seus filhos e netos.

Os estudos científicos do Imazon apontam que a pecuária é tão ineficiente que, em média, não oferece uma renda superior à da caderneta de poupança. Ou seja, seria mais negócio ao pecuarista vender tudo o que tem e viver do dinheiro aplicado.

Por quê, então, optamos pelo boi? Porque não pensamos, somos tão bovinos quanto a ilustre e inocente criatura. Não medimos conseqüências. Pautamo-nos pelo passado. Não questionamos se o que nossos pais e avós fizeram seria o melhor para nós, para nossas famílias e para a Humanidade.

Nem sempre a Humanidade fez escolhas certas. Em sua maioria são escolhas cômodas. Não medimos as conseqüências. No entanto, estamos diante de uma encruzilhada – ou transformamos a Amazônia em um imenso pasto ou iremos entregar às futuras gerações a mais diversa e bela floresta tropical do planeta. A escolha é sua. E de mais ninguém.

Quinhentos anos de atraso

Não há por que se assustar com esta responsabilidade. O Brasil é o campeão da falta de percepção ambiental e social. A pecuária bovina é sinônimo da história da ocupação do Brasil. Desde que o primeiro europeu colocou seus pés no Brasil, foi seguido pela pata do boi. O vírus da gripe, o boi, a bíblia e a arma de fogo modificaram este continente – difícil saber o que causou mais danos.

O boi é uma fonte de proteínas de baixíssima eficiência energética (converte em carne meros 7% do que come). Com sua pata compacta o solo, causa erosão e destrói as micro-bacias e o seu consumo traz sérias conseqüências à saúde.

O boi é um trator funcionando 24 horas. E por quê? Para saciar a vontade de comer picadinho, hambúrguer e estrogonofe. Para transformar o Brasil no maior pasto do planeta foi preciso “abrir” espaço para este animal. “Mato” (leia-se: floresta tropical com grande diversidade biológica) não alimenta boi. As florestas tem que ceder lugar ao pasto. Poderíamos resumir a história do desaparecimento da Natureza do Brasil em uma única lápide: “virou bife”.

Em 500 anos reduzimos os 1,5 milhões de hectares da Mata Atlântica (floresta tropical atlântica) a meros 7% de sua área original, a Caatinga para menos de 20% e o Cerrado para menos de 25% de sua área. Pior: a degradação continua, de maneira acelerada.

Insistimos em ocupar novos pastos na Amazônia ao invés de melhor a produtividade do que já se transformou em pasto no Sul, Centro-Oeste e Sudeste. O Brasil continua um país irresponsável em termos de produtividade na pecuária. Dos 850 milhões de hectares do Brasil, há no país cerca de 250 milhões de hectares de pasto (cerca de 30% do país). Deste total, cerca de 30% está na Amazônia –  75 milhões de hectares. A produtividade na Amazônia é pífia – 0,7 cabeças/hectare –  símbolo da incompetência em compreender e tratar o meio físico amazônico. Vamos lembrar que o Brasil todo possui cerca de 50 milhões de hectares em área plantada!

Neste ritmo, em duas décadas teremos mais bois na Amazônia do que a totalidade do rebanho brasileiro atual (170 milhões de cabeças). No Brasil já há mais bois que brasileiros.

Resumo de nossa história: o Brasil virou pasto e nossa grande contribuição à humanidade foi substituir a maior floresta tropical do planeta em churrasquinho. Carne com gosto de fumaça, violência e extinção de espécies. Apesar da ditadura militar ter se desmilinguido nos anos 1980 a Amazônia continua sob o domínio do medo, da lei do mais forte, do coronelismo, da grilagem de terra, da corrupção e do incentivo fiscal a quem dele não necessita. Quem manda é o revólver e a motoserra. Um boi vale mais que uma vida.

Por quê?

Porquê insistimos em incorrer nos mesmos erros que nossos antepassados europeus, para quem a “pata de vaca” era sinônimo de progresso. O boi é celestial. O mato é o demônio. O arame farpado é progresso. A floresta calcinada é progresso. O mugido do boi é progresso. O pasto, que pode ser medido e contabilizado, é celestial.

O país continua a tratar a Amazônia como uma área ainda não conquistada, um imenso estoque de terra pronto para virar pasto. E mais, a Amazônia como fonte inesgotável de madeira, peixe, ouro, alumínio, energia elétrica etc.

As políticas públicas e a maior parte das empresas despreza os 10.000 anos de convivência com a floresta tropical. Desta aprendizado passo a passo, de descoberta do ser e viver. O Brasil trata as comunidades indígenas e a caboclas como culturas “primitivas”, “bárbaras” e “demoníacas”. O mato, o espaço do desconhecido, do que não pode ser controlado, é o antro do medo, da escuridão. É no mato que estão os piores horrores.

Não haverá aqui uma inversão de valores? Estamos prontos a reconhecer este erro? Ou continuaremos a nos ufanar que temos o maior rebanho comercial do planeta? Que nossos bois são “bois verdes”, comem só capim?

Vamos continuar a nos enganar? Seremos honestos com as futuras gerações? Quem está disposto a pensar um novo Brasil? Seremos os bois-de-presépio da vez, que sentam-se na lanchonete e devoram silenciosos seus hambúrgueres?

O desafio

Cabe a nós, e tão somente a nós todos, sermos diligentes e eficientes em propor um novo pacto civilizatório para a Amazônia, capaz de diminuir a pressão sobre as populações nativas e o meio ambiente. Seus 23 milhões de habitantes, com amplas necessidades de consumo, inclusive de proteínas, demandam respostas rápidas.

Afinal, come-se a Amazônia três vezes ao dia, no café-da-manhã, no almoço e no jantar. Deste total há 7 milhões de habitantes na zona rural, dos quais cerca de 2 milhões vivem em trinta mil comunidades tradicionais, em sua maioria com acesso precário a serviços públicos de educação, saúde, água, esgotos, energia, segurança e assistência técnica agrícola.

Não estará na hora de nos transformarmos de destruidores em enriquecedores da natureza. Será que não bastam os 75 milhões de hectares já desmatados da Amazônia (área superior a toda área agrícola do país) para revolucionarmos nossa compreensão de floresta tropical produtiva?

Não será a hora de formarmos agricultores da sustentabilidade (permacultores), guarda-parques, guias de ecoturismo, artesãos, madeireiros cuidadosos, cientistas e estudiosos do saber local?

E nós, continuaremos a ser meros telespectadores? Corrigindo, na verdade, somos mais que telespectadores, somos os que financiam este processo, silenciosamente, nas gôndolas de supermercado, nos espetinhos, nos pastéis de carne… Mais do que rebanhos de consumidores, de cabeça baixa, nossa ignorância alimenta a injustiça e a destruição. Aceitamos, silenciosamente, que as coisas continuem como estão.

Medidas práticas para o dia de hoje

Você pode mudar a Amazônia a partir de agora. A sua decisão de consumo afetará profundamente o que se produz na Amazônia

 

Ao nível individual:

  • se você come carne, pergunte a quem lhe vende, de onde vem a carne para saber se você está comendo ou não a Amazónia?
  • Se você mora fora do Brasil – pergunte se é mesmo imprescindível  vir carne da Amazônia e das outras florestas tropicais (muitas vezes você come a Amazónia na forma de soja, que ao invés de alimentar pessoas é dado a porcos, galinhas e vacas).

Que medidas o poder público pode tomar agora por meio de decreto:

  • aumentar a taxa do imposto territorial rural das áreas de pastagens;
  • modificar a fórmula de cálculo do imposto de renda dos fazendeiros;
  • fiscalizar com seriedade as questões ambientais, trabalhistas e tributárias da cadeia produtiva da carne na Amazônia.

Ao nível coletivo nacional:

  • Não seria oportuno discutir uma moratória de alguns anos, digamos, quatro anos, onde nenhuma autorização de desmatamento fosse concedida. Não seria este um tipo de compromisso que um novo presidente da República deveria assumir?
  • Não seria oportuno organizar um amplo programa de re-educação para fazendeiros e suas famílias, permitindo que fossem capacitados em técnicas sustentáveis de convivência com a floresta? Afinal, eles são pessoas como nós, que só querem ter uma vida digna para si e seus familiares. A pecuária é apenas o meio de vida que se lhes coube e que sabem trabalhar.

Ao nível coletivo internacional:

  • Não está na hora de efetivamente discutir a relação entre a destruição das florestas tropicais do globo e a pecuária e o consumo de madeiras tropicais?

Teremos que olhar a Amazônia de outra forma, não através dos olhos bovinos que esmagaram o futuro nos últimos cinco séculos. É preciso que aceitemos que não somos bois-de-presépio nem bois-de-piranha. Somos seres capazes de decidir o que queremos. E queremos justiça social, ambiente saudável, emprego e renda com eqüidade. Queremos entregar às futuras gerações a Amazônia com a etnodiversidade, a biodiversidade e a diversidade cultural melhor ou igual àquela que recebemos.

João Meirelles Filho, janeiro de 2006

Considerações: Lua Lino

A Amazônia é o maior bioma brasileiro em extensão, ocupa quase metade do seu território nacional (49,29%), e possui a maior diversidade biológica do planeta. Ela também é considerada uma das regiões de maior desigualdade econômica e o seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, da ONU) equivale ao dos países mais pobres do mundo.

A principal atividade econômica rural da Amazônia é a pecuária. Essa atividade emprega uma pessoa para cada setecentas cabeças de gado, numa área de 1000 hectares; outras atividades menos impactantes empregariam de 100 a 250 pessoas na mesma área. Além disso, é uma atividade socialmente danosa, pois registra os mais altos índices de trabalho escravo do país.

O seu desmatamento para extração de madeira, agricultura e pecuária torna o Brasil um dos principais responsáveis pela emissão de gases que contribuem para o efeito estufa.

Quem são os responsáveis por isso? Somos todos nós, os consumidores de carne. Mais de 90% da carne produzida na Amazônia é consumida nosso próprio país!!

A mudança de hábito alimentar significa parar para rever nossos conceitos, uma oportunidade de encontrarmos com nosso interior e refletirmos sobre o que estamos fazendo com o planeta. Reclamamos da pobreza, da miséria e da falta de preocupação com o meio-ambiente, mas nunca pensamos no quanto estamos contribuindo com a sua degradação, nem tampouco tentamos reverter essa situação.

Além dos problemas sócio-ambientais causados pela pecuária, é comprovado que o consumo da carne faz muito mal ao nosso organismo. Entre outras doenças, a carne é responsável pelo aumento do nível de colesterol, pelo o risco de doenças cardio-vasculares, além de causar alguns tipos de câncer. De fato, deixar de comer carne não é tão atrativo quanto comê-la, mas isso se não colocarmos na balança a nossa saúde e a saúde do planeta.

 “E de que vai adiantar se eu parar de comer carne?” Bem, se só uma pessoa parar de comer carne pouco vai adiantar. Porém se cada vez mais pessoas se conscientizarem da relação entre uma alimentação sadia e um ambiente sadio; com pouco tempo a humanidade reflorestará suas áreas de pastagens.


Quero – Elis Regina

maio 20, 2009

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Letra:

Quero ver o sol atrás do muro
Quero um refúgio que seja seguro
Uma nuvem branca sem pó, nem fumaça
Quero um mundo feito sem porta ou vidraça
Quero uma estrada que leve à verdade
Quero a floresta em lugar da cidade
Uma estrela pura de ar respirável
Quero um lago limpo de água potável

Quero voar de mãos dadas com você
Ganhar o espaço em bolhas de sabão
Escorregar pelas cachoeiras
Pintar o mundo de arco-íris

Quero rodar nas asas do girassol
Fazer cristais com gotas de orvalho
Cobrir de flores campos de aço
Beijar de leve a face da lua

→ Considerações: Nicole Lellys

Sonhar com um outro mundo possível! Essa busca por um lugar melhor pra viver não pode ser utopia. Não queremos nada demais, queremos o que é nosso. Nosso, não porque possuimos, mas porque fazemos parte dele, somos ele! Queremos um horizonte loooongo, queremos respirar profundo, queremos sentir profundo, queremos ver alegria e paz, queremos equilibrio, queremos harmonia, queremos mais sentimentos e sensações por todos os lados!