Poema para José Sarney

julho 5, 2009

Prezado José Sarney

Entendi o seu recado

Que a crise não é sua

É somente do Senado

Mas me diga senador

Como você empregou

Tanta gente do seu lado

Essa crise é sua, sim,

Pois foi você quem gerou

Ao empregar sua família

E nomear diretor

Olhando o caso com lupa

Só divido a sua culpa

Com quem foi seu eleitor

Vi atento o seu discurso

Achei até brincadeira

Mas é comum com a idade

A gente dizer besteira

Eu só não achei correto

Você empregar seu neto

E culpar o Cafeteira

Você não é qualquer um

Como disse o presidente

Mas isso não quer dizer

Que você seja inocente

Nem que o nobre senador

Com seu discurso enganou

A mim e a muita gente

Aproveitando o ensejo

Permita-me indagar

Como o senhor conseguiu

Tanta gente empregar

E também ensine a gente

Como ajudar os parentes

Que não querem estudar

Por fim, nobre senador

Desculpe se fui direto

É que também sou avô

Mas nunca empreguei um neto

Coloquei-o pra estudar

Pra num concurso passar

Sem precisar ser secreto.

[autor desconhecido]


TV Veículo de cultura?

junho 29, 2009

TV veiculo de cultura

Considerações: Christine Farias
Outro dia peguei um ônibus lotado (sim, porque os nossos sistemas de transportes são bastante eficientes!), estava em pé e com os braços carregando bolsa e livros. Comecei a perceber o quanto as pessoas estavam concentradas, assistindo a televisão que agora tem em alguns coletivos. Elas nem sequer piscavam os olhos! Comecei a assistir também, devia ser algo realmente interessante… Nada útil! Clipe de algum grupo musical, nenhuma informação importante! Mas os passageiros estavam hipnotizados, e nem repararam que, assim como eu, outras pessoas estavam em pé no maior sufoco para segurar seus objetos!
Esse momento me fez refletir várias coisas: como o ser humano é cego! Cego por não conseguir enxergar a necessidade do outro e com um simples gesto de educação ajudar o próximo (neste caso o de carregar algum objeto, já que para quem está sentado seria menos incômodo).

Foi fácil perceber o quanto o nosso sistema consegue manipular as pessoas, de fazer com que estas pensem e ajam da forma que eles (o sistema) determinam. E aí o Aldous Huxley estava super atualizado quando em 1932 escreveu Admirável Mundo Novo (vide em livro).

As pessoas estão cegas e não percebem que as televisões nos ônibus constituem mais um instrumento capaz de induzir a humanidade à incapacidade de raciocinar. Mais uma maneira de desviar nossa atenção ao que realmente importa, aos problemas que nos cerca.
Ou para a população seria mais fácil se organizar e lutar pelos ideiais – mais um ponto que merece questionamento: hoje nós temos uma sociedade apática aos problemas. Existem ideais? – ou deixar se levar por meios que trazem prazer e descontração como programas de tv, futebol, carnaval e tantos outros que foram bem representados pelo SOMA na obra de Huxley ????

E você, o que pensa a respeito?


A última árvore de uma rua!

junho 27, 2009

a última árvore 

 

 

 

 

 

 

 

” É uma suruba social. Uns em cima dos outros. Assim vivemos nos edifícios da cidade. É difícil de acreditar, mas parece que gostamos de viver amontoados. Ainda se aqui fosse frio – Recife, clima úmido e quente – poderia argumentar-se. Aumentou o calor. Ele não veio sozinho, mas trouxe o aumento do barulho, do lixo, do trânsito e dos diversos problemas sociais. Mas espere, não há mais espaço para construir prédios aqui, terrenos baldios. Calma, isso não é problema: derrubaremos as casas antigas, as galerias de lojas, os bares falidos, as árvores… Terreno vizinho ao meu. Uma casa antiga, grande, abandonada. Tornou-se apenas areia em menos de uma semana. O que por muito tempo foi objeto de ostentação agora é pó. Mas hoje, doeu ao ver uma árvore – só restava ela – cair por último. Deixaram a pobre plantinha para o final. Ela estava atrapalhando. Aliás, a natureza sempre “atrapalhou” o homem, a evolução, melhorias, avanços. Doeu vê-la cair, ou melhor, ouvi-la, pois estava próximo à janela quando me assustei com um barulho alto. Corri curioso para ver a triste cena. Mais uma construção em andamento. Poluição sonora em cartaz, de segunda a sábado a partir das 07h00min da manhã. Antes eu via o mar, agora vejo uma selva, de pedras. Em pouco tempo estarão construindo prédios na areia do mar. Só resta espaço lá agora. Isso me faz arriscar dizer onde iremos parar com tudo isso: em uma avenida qualquer, num engarrafamento, travado pela infinidade de carros. Ninguém vem, ninguém vai. “Esse bairro é bom de morar, bem valorizado, status”. De fato aqui é bom. Tem uma praia linda; é um bairro independente dos outros; estamos sempre em contato com turistas, o que nos torna mais ligado com resto do mundo ao trocarmos experiências diversas, o que não ocorre em outros bairros; possui o centro de lojas mais bem estruturado da região; os melhores hotéis, aeroporto, enfim. Mas o que é bom afinal? Morar em um lugar super povoado, cada vez mais habitado, mais explorado, com construções sem fim? E sua família, irá crescer bem por aqui com todas essas empreiteiras brigando por cada pedaço de terra livre? Existe coisa melhor que um status, um nome, um bairro. A decisão é pessoal. Os valores são pessoais. Sem pretender entrar nesse mérito – já entrando – sigo com o meu raciocínio inicial. Morar bem, avanços, modernidade, nada disso tem valor algum, se, destruímos o pouco que nos resta da natureza nos dada como presente da criação. Se transformamos a cidade em um caos jogando famílias lá dentro em nome do alto faturamento. Eu ouvi, quase vi, mas ouvi o grito de socorro de uma árvore, que coincidência ou não, estava com a sua raiz sob o luto de uma placa que fazia sombra exatamente ali, no seu coração. Nessa suruba ninguém “goza”.  Leonardo Rocha, morador da Rua dos Navegantes, Boa Viagem.

→ Considerações: Christine Farias

Relato frustrante de um primo meu ao perceber que a última árvore da sua rua estava sendo derrubada porque simplesmente estava “atrapalhando” ! ! !

A preocupação com a natureza, quando não puramente retórica, tem se limitado a ações que dizem respeito à preservação de espaços ou recursos ligados diretamente às populações envolvidas. Contudo, o que a sustentabilidade requer consiste em algo mais amplo.

Trata-se, por exemplo, de usar os recursos naturais renováveis a um ritmo que respeite suas taxas de regeneração: de emitir lixo e poluentes de modo que o ecossistema possa absorvê-los, reciclando-os; de procurar substitutos para os recursos não-renováveis antes da sua extinção; de conservar a biodiversidade como fator crucial para a evolução biológica; de manter, enfim, os serviços de sustentação da vida que o  meio ambiente oferece de graça. 


Borboletas de Marizá

junho 26, 2009

poema_mariza

O que é se faz possível
De todas as formas me disse
Em forma de borboleta: Amar

Além do concreto
Além do asfalto
Além do muro erguido

Além da fumaça
Além do mormaço
Além da linha de fogo, troca de tiros

Além do semáforo
Além da faixa de atropelamento
Pare. Atenção. Siga. Na contramão persista

Além do tráfego
Além do tráfico de
Órgão. Corpos. Seres vivos e não-vivos

Além do alçar vôo
De crianças de sete anos
Aeroporto de âncoras enferrujadas, kamikazes
[ de sonhos

Além dos sorrisos descoloridos
Além dos ternos monocromo-acinzentados
Além dos passos rápidos por falta de motivos

Além das janelas de repartições
Além de birôs de departamentos
Além de varas de jurisdições

Além de protocolos
Além das fixas de cadastros
Preenchimentos de segundas vias

Além de pulos de prédios com quinze andares
Além de jogar-se no trilho do trem
Além do compulsivo esbelto, anfetaminas.

Além, muito além de qualquer
Cerca eletrificada, documento de propriedade
Numero de identidade, registro civil

Além de nós mesmos, dentro de si mesmo
Além do olho-bisturi e ouvidos-ratoeira
Além da boca castradora

Encontrei céu aquarelado
Encontrei azul, nublado
Alaranjado, multicolor

Encontrei flores amarelas
Encontrei vermelho, rosa
Encontrei Mandacaru, Uricuri, Juá

Encontrei o pote
Onde fadas guardam perfumes
Polens reluzentes primaveris

Encontrei o pote dos duendes
E não havia as minhas sandálias
Achei seixos com pinturas de mandalas

Encontrei o pote onde arco-íris
Deságua, borboletas e grilos
Tocam a música que flori o sertão

Encontrei casa de oito lados
Cajueiros aos quais eu era neto
Encontrei ganso ou pato ou marreco ou Geraldo

Encontrei o caminho das pedras
Que rodopiavam até o Ganges
Lugar sagrado onde me encontrei

Encontrei a fogueira da minha inteireza
Onde o cacique alisa meus cabelos
Aquece minha face, afaga meus sonhos

Encontrei cura, sanação pelas mãos
Através das mãos, meditação
Sob estrelas e lua plena

Encontrei pedras altas
Onde o vale encantado se mostrava
Como grande sorriso de amor

Encontrei a bruxa branca
Semeadora do transformar
Encontrei-me novamente, ah… Marizá.

(Philippe Wollney)


Green-Posters

junho 10, 2009

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Link para Green-posters

→ Considerações : Daniela Vieira

Nosso presente e próximo futuro expostos em forma de figuras muito legais para reflexão.


Vista Cansada

maio 21, 2009
texto_vistacansada
Otto Lara Resende

Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa idéia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.

Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.

Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

Texto publicado no jornal “Folha de S. Paulo”, edição de 23 de fevereiro de 1992.
*Obrigado ao Luiz Eduardo pela dica do texto.

→ Considerações: Breno Martins Rêgo

Otto Rezende em seu texto trás uma discursão grandiosa. Podemos pensar em diversos pontos da sociedade que nós levam ao habito, cotidiano e por fim a banalização do olhar. Será que tem que ser assim? Temos que passar pelos mesmos caminhos todo dia para trabalhar? Temos que tratar o porteiro com aquele bom dia automatico?

Parece que andamos olhando sempre o que está por vir e esquecemos o que está a volta, presente naquele momento. Eu diria que isso é uma doença moderna. Saramago, em “Ensaio sobre a cegueira”, coloca uma situação inusitada: Uma cegueira branca aplaca um país, a partir dessa enfermidade ele discorre as ações humanas e mostra que mesmo cego o homem continua “cego”. Alguns se aproveitam da situação, outros utilizam da violencia para ter o que querem. Ele tambem mostra que existem aqueles que se importam com as necessidades dos outros, que entendem a situação e tentam fazer o bem comum a todos. O livro é uma analogia a condição humana no seu estado bruto, sem lapidações.

Compartilho com vocês dois vídeos do exelente documentário “Janela da Alma” (2001) do diretor João Jardim.

Hermeto Pascoal

José Saramago



Privatização dos recursos naturais, aonde vamos chegar?

maio 19, 2009
textos_privatizar

Texto de Robert Kurz, filósofo alemão.
O original deste artigo encontra-se em http://www.krisis.org (“Die Privatisierung der Welt”).
Tradução de Luís Repa publicada na Folha de São Paulo de 14/Jul/02.

A privatização do mundo

É de supor que a natureza já existisse antes da economia moderna. Daí o fato de a natureza por si própria ser grátis, sem preço. Isso distingue os objetos naturais sem elaboração humana dos resultados da produção social, que já não representam a natureza “em si”, mas a natureza transformada pela atividade humana. Esses “produtos”, diferentemente dos objetos naturais puros, nunca foram de livre acesso; desde sempre estavam sujeitos, segundo determinados critérios, a um modo de distribuição socialmente organizado. Na modernidade, é a forma da produção de mercadorias que regula essa distribuição no modo do mercado, segundo os critérios de dinheiro, preço e procura (solvente). Mas é um problema antigo que a organização da sociedade tenda a obstruir também o livre acesso a um número crescente de recursos pré-humanos da natureza. Essa ocupação traz, das mais diversas formas, o mesmo nome que os produtos da atividade social, a chamada “propriedade”. Ou seja, acontece um quiproquó: outrora livres, os objetos naturais não elaborados pelo ser humano são tratados exatamente como se fossem os resultados da forma de organização social, e daí submetidos às mesmas restrições.

A mais antiga ocupação dessa espécie é a da terra. A terra em si não é naturalmente o resultado da atividade produtiva humana. Por isso também teria de ser, em si, de livre acesso. Quando muito, a terra já transformada, lavrada e “cultivada” poderia estar submetida aos mecanismos sociais; e, nesse caso, teria de se tornar propriedade daqueles indivíduos que a cultivaram. Mas, como se sabe, não é exatamente esse o caso.

A propriedade privada moderna reforçou monstruosamente a submissão da natureza “livre” à forma da organização social, obstruindo assim o acesso aos recursos naturais com um rigor nunca visto. Essa intensificação da tendência usurpadora tem sua razão no facto de a ocupação ser efectuada agora não mais pelo acto pessoal e imediato de violência, mas pelo imperativo económico moderno, representando uma violência “coisificada” de segunda ordem. A violência armada imediata manifesta-se ainda hoje na ocupação dos recursos naturais, mas ela é já coisificada de forma institucional na própria figura da polícia e do Exército. A violência que sai dos canos das espingardas modernas já não fala por si mesma; ela tornou-se mero agente do fim em si mesmo económico. Esse deus secularizado da modernidade, o capital como “valor que se autovaloriza” incessantemente (Marx), não aparece, porém, apenas na figura de uma coisificação irracional; ele é ainda muito mais ciumento que todos os outros deuses antes dele. Por outras palavras: a economia moderna é totalitária. Ela tem uma pretensão total sobre o mundo natural e social. Por isso, tudo o que não está submetido e assimilado à sua lógica própria é para ela fundamentalmente uma espinha na garganta. E, como sua lógica consiste única e exclusivamente na valorização permanente do dinheiro, ela tem de odiar tudo o que não assume a forma de um preço monetário. Não deve haver nada mais debaixo do céu que seja gratuito e exista por natureza. A propriedade privada moderna representa somente a forma jurídica secundária dessa lógica totalitária. Ela é, por isso, tão totalitária quanto esta: o uso deve ser um uso exclusivo. Isso vale particularmente para os recursos naturais primários da terra. Sob a ditadura da propriedade privada moderna, não é mais tolerado nenhum uso gratuito para a satisfação das necessidades humanas, além das oficiais: os recursos têm de servir à valorização.

→ Considerações: Nicole Lellys

Os recursos naturais, como as plantas, o solo, a água, o ar, as rochas, e os minerais são utilizados por todos os seres vivos. Destes recursos naturais, alguns são renováveis, outros não. O Meio Ambiente é composto por bens ambientais de uso comum do povo,  e esses bens são essenciais à sadia qualidade de vida para as presentes e futuras gerações.

O homem recorre aos recursos naturais para satisfazer suas necessidades. A palavra recurso significa algo a que se possa recorrer para a obtenção de alguma coisa. Os recursos ambientais são bens comuns a todos os seres humanos, e cabe a nos usufruirmos deles de forma racional e sustentável, visando que eles são de todos e para todas as gerações.

A qualidade do meio ambiente depende em forte proporção dos bens e serviços que o Estado coloca à disposição dos indivíduos, como por exemplo, água tratada, ar adequado à subsistência, rede viária, parques, etc. Esses bens são por direito, de todos os cidadãos, e na essência, acho difícil especificar valores monetários a esses bens.

Sem dúvida, se hoje temos mais celulares per capita, mais carros per capita, consumimos mais bens etc, em compensação nosso ambiente e nosso ar estão mais contaminados, nossas praias mais sujas, a área reflorestada esta menor, os desertos maiores, a disponibilidade de água reduzida, entre outras calamidades e preocupações.

Há uma verdadeira guerra travada na busca da apropriação dos recursos naturais escassos para a satisfação das necessidades humanas que parecem ser ilimitadas.

Na visão do desenvolvimento tradicional, a natureza é entendida como uma fonte inesgotavel de recursos e, ao mesmo tempo, como um esgoto de infinita capacidade de absorção de dejetos, ou seja, o homem retirava da natureza tudo aquilo que precisava para produzir bens e serviços e retornava ao meio ambiente os resíduos por ele produzido, sem qualquer tipo de tratamento específico.

A dificuldade na atribuição de valor econômico aos bens e serviços gerados pela diversidade biológica depende do tipo de valores em questão. Assim, estes têm sido divididos, por autores como Young e Barbier, em valores de uso e valores de não uso. Entre os valores de uso, os bens e serviços podem ter um valor resultante do seu uso direto – madeira, caça, turismo, da sua função ecológica – fotossíntese, proteção contra a erosão, ou por serem um valor de opção. Por valor de opção entende-se os benefícios ainda desconhecidos da biodiversidade, como a descoberta de novas substâncias para o tratamento de doenças.

A aproximação da economia à ecologia não tem sido bem vista por alguns ecologistas, que receiam que a tomada de decisões venha a ser feita com base em critérios econômicos e não ecológicos. Outros, pelo contrário, argumentam que o fato de não ser atribuído um valor econômico à biodiversidade pode fazer com que não lhe seja reconhecida importância. Será que é possível dar valor aos bens ambientais? Claro que não!

A preocupação com o meio ambiente deve fazer parte da vida de cada cidadão, e dos governantes. Todos devem tornar as cidades em que vivemos um lugar prazeroso e saudável. O tratamento de esgoto, a fiscalização das indústrias, a criação de parques e praças com muito verde, a fiscalização das áreas de preservação ambiental são algumas das atribuições que os governantes e cidadãos têm por obrigação zelar. Devemos contribuir para diminuir a poluição fazendo a nossa parte: separando o lixo para ser reciclado, não sujando as ruas e lugares públicos, não jogando lixo nas encostas e rios, economizando água e luz, evitando usar garrafas pet, etc.

Para cada problema existe uma solução possível, o ideal é evitar que os problemas aconteçam. É melhor agirmos com precaução em todas as nossas ações. Assim o céu ficará mais azul e as cidades serão lugares agradáveis de morar. Devemos nos conscientizar de que fazemos parte da natureza, e assim, quando a desrespeitamos estamos nos desrespeitando também.